Avril estava caindo em queda livre no céu. Estava á quilômetros de distância do chão. Ela estava quase inconsciente. Achava que iria morrer.
O chão foi ficando cada vez mais e mais perto. Ela fechou os olhos. Não gritava. Ela sabia que não iria adiantar. Foi caindo, caindo... E quando já conseguia-se ver os prédios, ela parou de cair.
Abriu os olhos e estava... voando. Ou melhor, estava sendo carregada. Olhou para o rosto da pessoa mas antes que pudesse analisar suas feições, algo em suas costas lhe chamou atenção. Asas. Asas pretas, grandes batiam. Quem carregava-a era um anjo. Melhor dizendo, um anjo caído. Ela foi direcionar-se novamente para o rosto da pessoa, mas tudo ficou escuro.
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Abri os olhos. Um anjo caído estava me segurando? Como assim? Olhei ao redor. Estava no meu quarto. Foi apenas um sonho. Um sonho muito estranho. Olhei no relógio e eram 5:50.
Levantei e fui para o banho. Depois, troquei de roupa e desci. Não estava com fome, então nem peguei a maçã que eu comia como café da manhã. Saí de casa e fui para a escola.
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Quando cheguei na sala, C já estava assentado lá. Dirigi-me para lá e assentei-me em sua frente. Virei-me para trás:
–Eu sonhei com um anjo caído.
Ele pareceu paralisar.
–V-v-você o que?
–Sonhei com um anjo caído.
–Isso não pode estar acontecendo –murmurou ele, consigo mesmo.
–O que não pode estar acontecendo?
–Não é da sua conta –e o velho C voltou.
–Claro que é! O sonho foi meu!
–Mas não se trata apenas de um sonho.
–Como assim?
–Princesinha, não lhe devo explicações. Então, agora me explique como foi seu sonho.
–E nem eu lhe devo explicações, novato.
–Eu já disse para não me chamar de novato! –ele gritou, explodindo e se levantando.
Todos olharam para nós e eu me levantei também. Estranho, estava um pouco bamba e tonta. E a tontura foi aumentando...
–Garota mimada... –ele disse- Você está pálida.
Eu? Pálida? O que estava acontecendo? O mundo começou a girar e a girar e rodopiar. E de repente, tudo ficou escuro. Um preto sem fim. Escuridão.
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Acordei com a voz de alguém. Só escutei a pessoa dizendo:
–E ela vai ficar bem? –uma voz masculina.
–Sim –a voz feminina respondeu.
Ainda estava de olhos fechados. Quando os abri, me encontrei em um lugar totalmente estranho. Minha visão custou a voltar ao normal.
Estava deitada com as mãos cruzadas sobre a barriga. Estava com dor de cabeça. Corri os olhos pelo ambiente aonde estava: ela uma sala com as paredes totalmente brancas, com os móveis brancos e uma mulher que aparentava ter 37 anos estava em frente à porta. Era um quarto pequeno. Quando olhei para frente, me assustei. C estava parado em frente aonde eu estava deitada. Ele viu que eu acordei e deu um leve sorriso. Estava deitada em uma maca. Tirei minha mão direita de cima da barriga e vi que ela estava com uma agulha ligada á soro.
–O q-que aconteceu? –disse. Minha voz saiu fraca e eu falei com dificuldade.
–Você desmaiou e eu te segurei antes que caísse no chão.
–Aonde estou?
–Na enfermaria. Eu te carreguei até aqui.
–Por quê me sinto tão fraca?
–Parece que você não comeu nada no café da manhã, não é? –falou a enfermeira.
–S-sim.
–Ahh... Avril, você não pode fazer isso.
–Eu sei. Quantas aulas eu perdi?
–Todas. Está no último horário, no final.
–E você ficou aqui esse tempo todo?
–Sim.
–Do meu lado...
–É, do seu lado.
–Pensei que você me odiasse.
–Pensou errado.
O mundo começou a girar de novo, mas só um pouco dessa vez.
–Enfermeira, ainda estou um pouco tonta.
–Isso é normal, querida. Você acabou de acordar. Vai passar se você se alimentar direito.
–T-tá.
–Não fale muito. Você ainda está muito fraca –falou C.
Coloquei novamente a mão sobre a barriga. Não estava me sentindo bem. Não sei se estava raciocinando ou ouvindo direito, mas C não me odiava?
–E você não me odeia?
–Não. Enfermeira, você pode nos dar licença por um instante, por favor?
–Claro. Se tiver algum problema, me chame –falou, saindo e fechando a porta.
–Eu não tenho motivos para te odiar mas você tem motivos para me odiar. Você me odeia? –ele perguntou.
–Não.
Ele sorriu e dessa vez, não tentou esconder. Sorri também.
–Por quanto tempo ficarei aqui? –disse.
–Você vai sair hoje acho que na hora do almoço, se estiver melhor.
–Por favor, não me deixe sozinha aqui –agarrei seu punho.
–Não deixarei. Você precisa descansar, durma. Eu ficarei aqui. Prometo.
Fechei os olhos e adormeci.
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